Participo dessa edição com o conto A Casa de Marte . Segue o início do conto para degustação: A CASA DE MARTE A pequena Damiana não sonhava, mas, sempre que fechava os olhos, com um caderno aberto sob sua caneta multicolorida, desenhava as coisas que via. Eram coisas estranhíssimas, que não pertenciam a este mundo, como bibliotecas imensas, cujas estantes davam voltas por corredores em espiral que não tinham fim. Ascendiam rumo a um teto de luz, enquanto embaixo não havia piso, mas um abismo de trevas. Houve uma ocasião em que reuniu toda sua coragem e desceu ali. As estantes, nas profundezas, não eram de metal e madeira, e sim de ossos. Já os livros eram feitos de carne e vasos sanguíneos. Apanhou um deles, cuja capa trazia a imagem de uma cobra constituída de veias e artérias. Aquela serpente pulsava como um coração. Damiana reabriu os olhos. Fora impossível retratar com perfeição o que vira, porém lá estava um desenho, em vermelho, que representava m...
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