OS ÁRABES E A PERFUMARIA


No Alcorão, o livro sagrado do Islã, o Paraíso é descrito como uma terra florida, rica em árvores, flores, rios e onde é sentido um doce perfume de almíscar.

Isso tem um embasamento concreto: o sul da Arábia não era o deserto que conhecemos hoje, mas uma terra fértil e exuberante. Era conhecida como a terra dos perfumes.

Foi por volta do ano 1000 que o filósofo e médico Avicena descobriu como extrair a água das pétalas de rosas damascenas. Esta era usada para perfumar casas e mesquitas e era muito apreciada pelos califas, que encorajaram sua produção, mantendo o controle do comércio de perfumes de rosas por séculos.

Em um momento em que na Europa eram produzidos perfumes mais pesados, os árabes praticantes da alquimia inventaram o alambique, um instrumento de destilação no qual a matéria-prima é aquecida com vapor d’água, liberando, uma vez atingida a temperatura certa, óleos essenciais, aromas e álcool. Graças a esse instrumento, conseguiram destilar um número crescente de plantas e, consequentemente, ampliar a gama de aromas disponíveis na perfumaria.

A alquimia é uma ciência esotérica cujo principal objetivo é converter uma substância em outra, transformando o que é negativo para o homem em algo positivo. Os árabes e outros povos aplicaram o pensamento alquímico à feitura de perfumes, buscando obter a quintessência das plantas e, posteriormente, através da destilação destas, os óleos essenciais.

O próprio profeta Maomé tinha um perfume favorito, o oud, chamado de “ouro negro” devido à sua raridade e custo elevado.

Trata-se de uma resina muito aromática, produzida naturalmente dentro dos troncos das árvores do gênero Aquilária. É conhecida na perfumaria como agarwood ou gaharu.

Hoje, essa resina é combinada sobretudo com notas de rosa e bergamota. Sua característica é se adaptar ao odor da pele da pessoa que a utiliza e ainda é extremamente valiosa.

Perfumes, prestígio e valor sempre andaram lado a lado, tanto que, mesmo depois da expulsão dos mouros da península Ibérica, os perfumistas foram privilegiados e permaneceram na Espanha. Se tivessem ido embora, teriam levado consigo o tesouro dos seus segredos: as fórmulas únicas para criar suas fragrâncias.



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